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AVESSO - 65x65x11cm . 2018 - espuma expansiva, acrílica, verniz, removedor sobre tela

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CONTRA PLANO III - 140x140cm . 2018 - tinta serigráfica, acrílica, verniz, fio de seda sobre tela

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TRILHA - ENSAIOS SOBRE TRADIÇÃO - 4º Ato / Performance de Eduardo Amato / 2018 - 3º Festival Curto-Circuito / Chapecó - SC

 
 
 
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MEMÓRIA CIRCULAR II - 50x50x5cm . 2018 - espuma expansiva, purpurina, gesso e sucata sobre tela

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CONTRA PLANO II - 84x60cm . 2018 - tinta serigráfica, acrílica, verniz, barbante encerado sobre mdf

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REVELAÇÃO - 110x80cm . 2018 - tinta serigráfica, acrílica, gesso, verniz  sobre papel

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DIMENSIONAL - 40x50cm . 2018 - tinta serigráfica, acrílica  e removedor sobre tela

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texto expositivo:  NA BEIRADA DA SUPERFÍCIE  Escrito por Lilian Gassen  /  Galeria Boiler '18

 

Olhar as coisas ou o mundo, hoje em dia não é mais olhar ‘para’ como se o que olhamos estivesse distante e separado. Olhar as coisas hoje é olhar ‘de’ algum ponto inscrito no mundo, relacionado ao que se observa. Quando se olha as coisas desse modo, estando junto delas, o ato de olhar se torna parte do mundo, porque é constituído pela relação com ele. Percebe-se então que a parcialidade desse olhar também é informação sobre esse mundo. Olhar o mundo a partir de sua superfície é entender-se como um corpo que percebe seu entorno como ‘seu lugar’ e não como uma exterioridade.

A partir dessa superfície então percebemos, atuamos, construímos conjecturas, noções, entendimentos de nós mesmas, sobre esse lugar e tudo que o coabita. E armadas desse conhecimento, mais ou menos profundo, mas sempre parcial, reconstruímos tudo nessa base, que simultaneamente se instaura por meio do fato e da ficção na duração de nosso tempo * . A imagem que se forma a partir desse ponto de vista é um reflexo na superfície do espelho, pois inevitavelmente o observador se projeta para dentro do que é observado. O observador é também a superfície de onde ele olha. É nesse ponto que a imagem se borra e a miopia tira o foco de lugar, e nos perdemos entre nós e o mundo. A superfície das coisas nos causa essa confusão.

O sentido de superfície mistura, por movimento contínuo de intercâmbio, ideias distantes, práticas históricas, geografias, sensações. Isso porque, paradoxalmente, a superfície das coisas pode ser uma película de separação entre aquilo que a coisa é daquilo que ela não é, como nossa pele, parte externa e visível de nossos corpos, que nos separa daquilo que não somos. A superfície pode ser algo sem profundidade, algo rasteiro, do qual pouco ou quase nada entendemos, ou percebemos. Também pode ser um lugar determinado no mundo, como a superfície dos Andes ou a superfície de um lago. Ela ainda pode ser pura ideação, uma fantasia ou projeção do espaço bidimensional. E todos esses “podem ser” da superfície perpetuam sua condição de comutação. ** A superfície destrói a linha de contorno, a divisa, e no lugar propõe a mutação do sfumato.

 

Em um passado de nosso tempo se dizia que “as primeiras partes da pintura são as superfícies”. *** Naquele momento, a superfície tinha um duplo sentido intercambiável; aquele relativo à aparência da exterioridade das coisas, e aquele que se refere ao plano de projeção [a janela]. Esses dois sentidos estão, portanto, submetidos à noção de representação/ficção. A imagem reconhecível dita as características das superfícies do objeto pintura como equivalente de ‘imagemcoisa’; neste caso, palavras inseparáveis por sentido e ordenamento constituído, pois aqui a imagem está antes da coisa, repousada, encobrindo-a. O reflexo na superfície do espelho é tão vívido que impede de ver o espelho. Esta é a superfície que se camufla na sedução do mundo que se replica.

Mas, se a superfície é a primeira parte da pintura, como não vê-la? Como não permitir-se levar por sua topografia? Agora, em outro passado de nosso tempo, quando a noção de fronteira era indispensável à compreensão das coisas e do mundo, a superfície ganhou espessura e se separou. Então, seu novo sentido passa a ser de “uma superfície que expressa igualmente os resultados das forças internas e externas” **** a si mesma. Perceber a imagem do mundo significa interferir nesse mundo, deixar a marca de sua mão nele. Este outro sentido de superfície contém a representação/ficção pela materialidade do fato. A imagem reconhecível está separada perceptivelmente de sua forma de fixação como itens distintos: a ‘imagem e a coisa’ ou a ‘coisa e a imagem’. O reflexo e o espelho se tornam presenças pela percepção/ação. Esta é a superfície que evidencia a rugosidade do mundo.

 

“O fenômeno da demolição do quadro, ou da simples negação do quadro de cavalete, e o consequente processo (...) da criação sucessiva de relevos, antiquadros, até as estruturas espaciais ou ambientais, e a formulação de objetos, (...) numa linha contínua, até a eclosão atual” ***** nos fizeram perceber o mundo como superfície. Achatadas pela literalidade dos fatos e enredadas por nossa própria ficção, construímos a ‘coisaimagem’. Nestes tempos de instantaneidade, o mundo, sua projeção no espelho, o próprio espelho e o ato de observar são e estão na superfície, coabitando. Se, por um lado, esse entendimento deixa tudo rasteiro e ordinário, por outro, “deshierarquiza”, horizontaliza as relações, nos deixa mais próximas e parecidas. Esta é a superfície que nos une. Perceber a superfície, portanto, é sentir essa pele macia e sedutora, ao mesmo tempo em que nos confrontamos com o ritmo das cicatrizes incongruentes de nossas histórias nela gravada. Esta exposição propõe essa percepção a partir da beirada e sem parapeito para nos proteger. Daqui, podemos ver alguns tipos de superfície, presentes conosco.

 

* SARAMAGO, José. A história como ficção, a ficção como história. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis : EDUFSC, n.27, p. 09-17, abr. de 2000.

** VIRILIO, Paul. Espaço crítico. Tradução Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. pg. 13.

*** ALBERTI, Leon Battista. Da pintura. Campinas: Editora da UNICAMP, 1989. pg. 107.

**** KRAUSS, Rosalind. Caminhos da escultura moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1998. pg. 36.

***** OITICICA, Hélio. Esquema geral da Nova Objetividade. In: FERREIRA e COTRIM (org). Escritos de artistas: anos 60/70. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. pg. 156.

 

 
 
 
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MEMÓRIA CIRCULAR I - 50x50cm . 2018 - tinta serigráfica, gesso e sucata sobre tela

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OBSERVATÓRIO - 34x150cm . 2018 - tinta acrílica, verniz e purpurina sobre vidro

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PARALAXE - 90x90cm . 2018 - tinta acrílica, verniz, removedor, barbante encerado sobre tela

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INTERIORA VI - 50x50cm . 2018 - tinta serigráfica sobre tela

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DESFOQUE - 40x50cm . 2018 - tinta serigráfica sobre tela

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COR, FORMA E SIGNIFICADO - 60x315cm . 2017 - tinta acrílica, verniz, purpurina irisada, glitter e nankin sobre vidro

 
 
 
 
 
 
 

TEMPO LÍQUIDO, MEMÓRIA PLANA - 220x70x0cm . 2017 - borracha, tinta acrílica, fita VHS e vidro jateado

 
 
 
 
 

NATUREZA VIVA - 70x25x27cm . 2017 - acrílica sobre madeira

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TRILHA - ENSAIOS SOBRE TRADIÇÃO - 3º Ato / Performance de Eduardo Amato / 2017 / Galeria Andrea Rehder / São Paulo - SP

 
 
 
 
 
 

texto expositivo:  ENTRE PLANOS  Escrito por Eduardo Cardoso Amato  /  Galeria Boiler

 

Qual foi a reação dos nossos ancestrais diante da primeira faísca ao lascar as pedras? Ou quando Einstein chegou a fórmula da teoria da relatividade? É nesse milésimo de segundo diante de um grande feito que a obra de Gustavo parece se encontrar.

O trabalho não se relaciona apenas com o campo da arte. Vai muito além. Pensa teorias e experimentos científicos via estruturas sensoriais. Não há, por um lado, uma preocupação em esclarecer conceitos já estabelecidos; há entretanto uma provocação, uma insinuação do que tenderia um experimento científico no campo da arte, enquanto resultado visual. Por suposto que existe uma pesquisa de fundo, pela qual é esclarecida através da escolha de cada forma, volume e composição das obras, como se tinta fluísse nos nervos do artista.

É um trabalho preciso, como um cálculo matemático ou uma fórmula química, isento de falhas. Mas não é um trabalho automático, com regras de continuidade; em cada obra Gustavo nos oferece uma fórmula para uma nova descoberta. Os trabalhos se relacionam como estações de pesquisa em um laboratório expositivo. Se existe uma teoria de organização no caos, é dessa paleta que o artista se alimenta, pulsante e nunca inerte.

Ainda como nos grandes feitos, os acasos na obra de Gustavo dividem lugar face a metodologia, sejam como descobertas técnicas ou como respostas a questionamentos do artista. A impermanência dos materiais nos suportes utilizados respiram e se configuram como próprios sujeitos nessa rede de tantos elementos que formam a obra de arte. O lugar de suas obras não se resume ao espaço expositivo, mas reverbera e permeia por nosso subconsciente ativando campos sensoriais de até, eu diria, autoconhecimento.

Qual o papel do espectador e qual seu lugar dentro da obra?

A pintura como registro de um tempo, e do próprio tempo, torna-se um portal que vai diante ao "momento final" do artista, reflete o presente como um espelho e nos faz viajar de volta para o momento que vivemos, tornando a obra sempre contemporânea através desses infinitos fluxos de compreensão. Arrisco em dizer que quando cria, o artista prevê possíveis caminhos interpretativos por saber exatamente como e do que esta falando. Tais chaves de interpretação que nos são dadas, cedem lugar a um arquétipo crítico onde a obra é clara e sem falsas teorias subjetivas e superficiais. 

Nesse sentido Gustavo produz situações pictóricas que devem ser compostas pelo espectador, interlocutor ou viajante, produzida como um negativo a ser revelado no momento de contemplação. Acomplexidade da obra não se desfaz com o alto grau de autonomia proposto à contemplação, ele não trabalha com "gosto pessoal, mas com todos os gostos pessoais”*. E se o conteúdo da pintura - por vezes - é invisível e seu caráter e dimensão devem ser mantidos secretos sabidos somente pelo artista**, a presente exposição é um convite à humanidade pensar em arte e sobre arte.


* Apropriação de trecho do texto do artista principense Almada Negreiros (1893 – 1970).

** A frase foi retirada da obra Secret Painting do coletivo Art & Language (1968).

 
 
 
 
 
 
 

CONTRA PLANO I - 40x60cm . 2017 - tinta serigráfica, acrílica, óleo e barbante encerado sobre tela

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MÍDIA - 60x40x30cm . 2017 - tinta vinílica e purpurina sobre madeira

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TRILHA - ENSAIOS SOBRE TRADIÇÃO - 2º Ato / Performance de Eduardo Amato / 2017 - Fábrica da Bhering / Rio de Janeiro - RJ

 
 
 

MITOSE - 50x40cm . 2017 - tinta serigráfica, acrílica, gesso, esmalte e removedor sobre tela

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DEPÓSITOS DE TEMPO - 75x75cm . 2017 - acrílica sobre cartões de banco e vidro jateado
 

 
 
 
 

PRETÉRITO DO FUTURO - 40x40cm . 2017 - acrílica, azul de metileno em pó e removedor sobre tela

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INÉRCIA - 120x80cm . 2017 - tinta acrílica, serigráfica e gesso sobre tela

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TRILHA - ENSAIOS SOBRE TRADIÇÃO - 1º Ato / Performance de Eduardo Amato / 2017 - Soma Galeria / Curitiba - PR